Lição Número Um
para se tornar
um bom artista,
é necessário reunir,
cuidadosamente,
de maneira
cautelosa
e abrangente,
todas as regras
que te ensinaram
no início da vida.
todas as normas,
condutas, ordens,
leituras, diretrizes,
etiquetas, posturas.
então, passarás o resto
da vida, tentando
quebrá-las.
quando quebrarem,
no entanto,
junte os pedaços
e os incinere,
a fim de desintegrá-los.
26/10/24
Lição Número Dois
para se alcançar
o verdadeiramente
inovador,
é fundamental
desaprender,
tudo que foi aprendido.
indispensável
libertar,
tudo que foi aprisionado.
permitir à percepção
tornar-se o guia,
a referência,
as coordenadas
e então desaperceber-se.
é necessário
a cada movimento,
causar uma amnésia
proposital em si mesmo.
lançando-se
em gestos negligentes,
ao descuido e
esquecimento.
27/10/24
27 poemas para 27 dias
ou o colapso total da psiquê
é isso mesmo
que você leu,
um poema
para cada dia,
um surto para
cada ciclo,
um delírio
para toda espera,
que compõe
vertigem no
atordoado.
desdobrando a colcha
do aguardamento,
cheiro a maresia.
só areia e conchas,
ventania e mar.
tudo que foi dito
digo novamente,
ser repetitivo.
na esperança eterna,
de nunca retornar.
27/10/24
Abominável Beleza Monstruosa
às vezes,
eu odeio a poesia,
não quero pensar nela.
mas ela me vem a mente
como uma colisão frontal,
só me livro dela
quando a escrevo.
às vezes,
eu abomino a arte,
não quero contemplá-la.
mas ela me inunda,
me afoga violentamente,
se impregna
em meu eu inteiro,
não tenho escolha,
senão mergulhar.
inúmeras vezes
detestei a poética,
em lapsos que
desejavam o vulgar.
mas o azucrinante
olhar artístico,
retira beleza do lixo
o tempo todo,
transformando
o repulsivo em sagrado.
até o ódio
excruciante vira verso,
neste ciclone
arrebatador de aflição.
os sentimentos
pavorosos e medonhos,
se tornam a iguaria
mais nutritiva.
assim as mãos castigadas
pelo instinto pr
imitivo,
suspendem meu ego
pelo pescoço,
ao contrário
do que se espera,
envolvendo meu sistema cardiorrespiratório,
me obrigando a respirar.
27/10/24
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